"Lembra quando começamos a namorar? Prometemos não esconder nada um do outro, mas
isso não era necessário, nossa comunicação sempre se deu através de uma espécie de
telepatia. Mas enlouquecemos, e era para ser assim mesmo, só não sei em que dado
momento nós saímos do mundo da razão. Tudo que solicitei que tu fizesse foram
ordens que recebi, sem contestar; mas precisamos pôr um fim nisso. Não somos mais
nós mesmos, estamos sob estado de sítio, não temos controle sobre nossas vidas.
Morremos há muito tempo atrás e não faço a mínima idéia de quem ou o quê está no
controle agora. Tenho raros estados de lucidez. Mas chega, isso é preciso, é a
única saída, então eu peço que faça o seguinte:
Quando anoitecer, pegue sua Magnun 44, vá até o Cabaret Molotov, chame a atenção
de todos e dê um tiro na própria cabeça. Não hesite.
Ana".
Ele bebia tranquilamente um mocaccino numa lancheria distante do bar onde
assassinara a garçonete. Teria ele estuprado a probre ruiva? Já não tinha certeza
de mais nada, e tampouco se importava. Ana realmente tinha razão, não havia outra
saída. Lembrou-se de que a arma estava no porta-luvas, avistara-a quando encontrou
o 1º bilhete de sua falecida esposa.
De repente, sua visão fica totalmente escura, escuridão esta acompanhada de um
isso não era necessário, nossa comunicação sempre se deu através de uma espécie de
telepatia. Mas enlouquecemos, e era para ser assim mesmo, só não sei em que dado
momento nós saímos do mundo da razão. Tudo que solicitei que tu fizesse foram
ordens que recebi, sem contestar; mas precisamos pôr um fim nisso. Não somos mais
nós mesmos, estamos sob estado de sítio, não temos controle sobre nossas vidas.
Morremos há muito tempo atrás e não faço a mínima idéia de quem ou o quê está no
controle agora. Tenho raros estados de lucidez. Mas chega, isso é preciso, é a
única saída, então eu peço que faça o seguinte:
Quando anoitecer, pegue sua Magnun 44, vá até o Cabaret Molotov, chame a atenção
de todos e dê um tiro na própria cabeça. Não hesite.
Ana".
Ele bebia tranquilamente um mocaccino numa lancheria distante do bar onde
assassinara a garçonete. Teria ele estuprado a probre ruiva? Já não tinha certeza
de mais nada, e tampouco se importava. Ana realmente tinha razão, não havia outra
saída. Lembrou-se de que a arma estava no porta-luvas, avistara-a quando encontrou
o 1º bilhete de sua falecida esposa.
De repente, sua visão fica totalmente escura, escuridão esta acompanhada de um
zumbido em seus ouvidos.
Acordou dentro do carro, já era noite. O acendedor de cigarros na sua língua
deixou-o mais desperto.
- Melhor que cocaína - disse consigo mesmo.
O smog tomava conta daquela cidade úmida e suja, prostitutas berravam ,
- Melhor que cocaína - disse consigo mesmo.
O smog tomava conta daquela cidade úmida e suja, prostitutas berravam ,
endoidecidas e fissuradas. Junkies em meio a ratos e lixeiras falavam de Glória e
Redenção.
Ele teve vontade de matar a todos e , inclusive, sentia-se parte daquilo, então
carrega o tambor do revólver e parte para o Cabaret Molotov.
Redenção.
Ele teve vontade de matar a todos e , inclusive, sentia-se parte daquilo, então
carrega o tambor do revólver e parte para o Cabaret Molotov.
- Que vai ser, hein, meu chapa?
- Bacanora.
- Veja bem...o senhor sabe...esta bebida é proibida por aqui...
- Esta pocilga toda é proibida. Veja.
- Bacanora.
- Veja bem...o senhor sabe...esta bebida é proibida por aqui...
- Esta pocilga toda é proibida. Veja.
Um sujeitinho de bigode e chapéu-coco tocava um vaudeville no piano, enquanto
executivos gordos e ensebados babavam em cima das moças. A decoração era inspirada
executivos gordos e ensebados babavam em cima das moças. A decoração era inspirada
nos anos 20, e os frequentadores, inspirados na idade das cavernas.
- Traga minha Bacanora, não quero que seus miolos conheçam a potência de uma
Magnum 44, como esta.
- Tá bom, tá bom. Bacanora saindo.
- ...
- Pronto. Taí. Ei, ei, ei, não bebe tudo assim não, isso é lava vulcânica, cara!
- Tá bom, tá bom. Bacanora saindo.
- ...
- Pronto. Taí. Ei, ei, ei, não bebe tudo assim não, isso é lava vulcânica, cara!

- Lamento muito não poder levá-los comigo - grita ele, subindo no piano -, estamos
todos no mesmo barco, e este barco já afundou na bosta há um bom tempo. Não há
sobreviventes nesse mundo!
E rapidamente, ele atira, não em sua têmpora, mas logo acima de sua orelha
E rapidamente, ele atira, não em sua têmpora, mas logo acima de sua orelha
direita. Em meio à toda aquela correria, ele sequer sente seu corpo cair. O pouco
que sobra de sua cabeça fica de lado, e um filme muito ruim se passa em seu olho,
além do sangue. A cena vai ficando cada vez mais vermelha, e num último suspiro de
vida, ele se recorda de todos os crimes cometidos no passado e sente até mesmo uma
compaixão por aqueles pobres diabos.
Só um pouco.
Só um pouco.
Escrito por Júlio Freitas (10/05/2015) |